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  • Fernanda Damy Haybittle

O QUE A PANDEMIA TROUXE DE POSITIVO PARA O CENÁRIODO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL.


Soluções, inovação, jogo de cintura e a garra do brasileiro em

tempos tão difíceis.


Por Fernanda Damy Haybittle , do Studio FDH


Depois de quase um ano convivendo com o pesadelo da Covid-

19 e o antes impensável isolamento social, já estamos

acostumados. O ser humano é adaptável, e essa é uma das nossas

maiores qualidades, e talvez sejamos colocados à prova de

tempos em tempos pela vida.

Mais importante do que acontece conosco é o que fazemos

daquilo que acontece conosco, e é justamente esse o tema do

nosso talk e desse texto feito com esperança e certa perplexidade.

Eu poderia dizer que o Coronavirus nos pegou de calças curtas,

mas a verdade é que ele nos pegou completamente nus, saindo

de mais uma crise econômica com um impressionante total de 13

milhões de desempregados num país polarizado e sem foco no

que importa.

Nos vimos paralisados e finalmente tivemos que parar e olhar pro

que há de mais valioso: nossas vidas. Estamos de castigo, no

cantinho da sala pensando no que fizemos de errado até aqui e

como podemos melhorar, e isso tudo sem pegar o vírus nem

contaminar ninguém. Fácil.


Eu sempre digo que mais importante do que o que acontece na

economia e na política é o que acontece dentro das nossas casas.

Nós brasileiros já deveríamos saber que quem colocamos no

poder fará um total de ZERO coisas para que tenhamos o básico,

que é o retorno dos impostos que pagamos. Não estamos sendo

enganados, estamos sim nos iludindo achando que o próximo

será melhor e resolverá esse país. Entãããããoooo, trabalhe para

manter a estabilidade da sua porta para dentro. Depois você

amplia!!


Vivemos com a cabeça pra fora d 'água num mar que já não dá pé

pra nós, e nos mantemos ali, sobrevivendo e inovando a cada

onda mais forte que aparece. De mar a gente entende.

No cenário do empreendedorismo não é diferente: poucos foram

os sortudos que nada precisaram modificar em seus negócios.


A grande maioria precisou inovar, rever processos, demitir

funcionários, fazer muito mais pra ganhar muito menos e ainda

assim achar ótimo só por não ter fechado as portas de vez.


Hoje no Brasil somos 52 milhões de brasileiros empreendedores -

ou seja, donos dos próprios negócios.

Destes, 9,031 milhões são MEI - Microempreendedores

Individuais, e esta fatia da economia é responsável por 30% do

Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Já pensou na responsabilidade?


Para se manter relevante no seu setor de atuação, o

empreendedor brasileiro teve que lidar com a Covid-19 TAMBÉM,

mas não só. Impostos altíssimos, especialmente os trabalhistas, e

pouco acesso à crédito foram alguns dos outros complicadores

de uma situação já sofrível no dia a dia. Mas dizem que aquilo que

não nos mata nos fortalece, certo?


Para driblar as dificuldades, a criatividade entrou em ação.

É sempre assim. Isso é que é inovar: resolver problemas antigos

de formas diferentes.


Dessa criatividade nasceram outros modelos de negócio

derivados de estruturas que já funcionavam bem – ou quase;

novos produtos e serviços adaptados ao momento de pandemia,

empresas que rapidamente se remodelaram para atender seus

clientes online no que antes era uma operação 100% presencial.

Haja inteligência emocional e sanidade mental!


Além de quem já estava nesse balaio, vieram aqueles que

perderam seus empregos CLT, uma vez que a crise atingiu em

cheio empresas dos mais variados setores.


E aí as mulheres deram um banho de profissionalismo e força.

Aos números: somos 9,3 milhões de mulheres empreendedoras.

Destas, 45% são chefes de família – ou seja, além de mandar em

todo mundo, elas também bancam a casa.

Do total de empreendedoras, 53% são mães.

Temos 16% a mais de estudo do que os homens, mas ainda assim

ganhamos 22% a menos já que a sociedade ainda é machista.

100% delas é incrível (ok, esse dado é meu, mas conta sim).;-)

Sem entrar profundamente na discussão necessária de gênero nas

empresas, vale dizer que no mercado tradicional (CLT) apenas

8,6% das mulheres ocupam cargos de liderança. Esse número

precisa crescer já, uma vez que somos infinitamente melhores nas

soft skills tão necessárias para o desenvolvimento do capital

humano nas empresas: imaginação, criatividade e inovação.

As companhias lideradas por mulheres faturam de 5% a 20% a

mais do que as lideradas por homens.


A crise gera oportunidades


Muitas iniciativas bacanas nasceram ou se fortaleceram na

pandemia, e mesmo que elas não estejam acessíveis para você

neste momento, você pode começar a pensar diferente para

poder fazer parte num futuro próximo.

Ou, quem sabe, criar algo similar na sua comunidade e começar a

mudar a realidade de onde você vive e das pessoas com quem

você convive. O nome disso é papel social, e um caminho curto e

delicioso pra garantir seu pedacinho no Céu.


Veja lá:

1. “Gig Economy” – trabalhos pautados em contratos de

curtíssima duração, mas que podem impactar a curto prazo

famílias de baixa renda. Na hora de contratar serviços e

consumir produtos, escolha de quem está perto de você.


2. Fomento ao “Black Money” – economia gerada por e para

consumidores negros. Há uma infinidade de produtos e

serviços pensados para eles, e além de ser maravilhoso, isso

fortalece a comunidade e os laços culturais entre as pessoas.


3. Microcrédito – O Sebrae oferece linhas para pequenos

empreendedores e mais uma infinidade de programas,

cursos e iniciativas de apoio ao pequeno empreendedor.

Cadastre-se já!!

O Sebrae tem ainda parcerias com gigantes como Magazine

Luiza e Facebook para capacitar e aumentar as vendas dos

mais diversos produtos e serviços. É para todo mundo, está

no site, e se tem uma coisa que funciona é o Sebrae.


4. Novos tempos, novos produtos – quanta gente você

conhece que começou a costurar máscaras, e cresceu para

outros itens?


5. Economia colaborativa – troca de produtos e serviços,

compartilhamento de espaços de trabalho e moradia,

incentivo à economia local e ao fazer manual.

Revendo processos

Eu acredito que a gente sempre pode melhorar, em tudo na vida.

Então por que seria diferente no trabalho? Alguns processos para

você rever sempre em casa e no trabalho, especialmente se você

ainda tiver suas finanças pessoais e profissionais interligadas:

• Mantenha os custos sempre baixos

• Não pegue empréstimos no banco, a não ser que esta seja

sua última alternativa – última mesmo

• Busque parcerias que tenham competências e

conhecimentos complementares aos seus

• Se o seu produto tem margens baixas de lucro, mantenha

seus clientes por perto, desenvolvendo um relacionamento

transparente, próximo e genuíno

• Atenda bem quem paga suas contas e mantém seu negócio

funcionando, o CLIENTE. Ninguém gosta de ser mal tratado,

por que o seu cliente gostaria? Mais do que isso, por que ele

gastaria o dinheiro dele num lugar que não atende bem?

• Esteja aberto a mudanças. Não tem nada de errado em rever

a rota e ajustar produtos e serviços. O erro é permanecer no

erro.

• Estude sempre, esteja totalmente familiarizado com

tecnologia, faça parte do tempo em que você vive. Se você

nasceu num tempo analógico nada impede que você

aprenda as dores e as delícias do mundo digital.

Separei alguns dados para inspirar você e sua equipe a

continuarem na luta. Aliás, esta é uma das definições de

empreendedorismo no francês antigo: comprar uma briga.

Que sua briga seja próspera!!!

Beijo, Fe


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