Buscar
  • Fernanda Damy Haybittle

Como ter conversas difíceis com quem amamos?



Conversando com algumas mulheres recentemente comecei a perceber uma dor comum à todas: a vontade de desistir, independente do que andam fazendo. Seja no empreendedorismo ou na carreira corporativa, a frustração tem dado o tom das conversas e o cansaço da luta diária é evidente.


Sem querer chover no molhado da nossa tripla jornada, às vezes o cansaço físico também pode denotar um cansaço dos temas que elas lidam diariamente: pode ser o tipo de trabalho, os relacionamentos em que estão inseridas, a rotina com os filhos ou qualquer outra coisa que elas tenham que fazer diariamente.

O fato é que o descontentamento com a própria vida e a vontade de mudar nublam a visão e impedem a tomada de decisão racional, fazendo com que questões de peso mediano ganhem um volume desproporcional e aí aquilo que era contornável deixa de ser - uma vez que a mulher já espinafrou, gritou, rompeu, demitiu, fugiu ou qualquer outra coisa de caráter exagerado com consequências definitivas.


Saber se comunicar de forma assertiva mas com calma, educação e consideração é sempre o melhor caminho para que as mulheres peçam ajuda e sejam ouvidas. O problema é que engolimos tanto sapo por tanto tempo que na hora de falar são muitas emoções envolvidas e o resultado destas conversas costuma ser desastroso.


Todas nós precisamos de uma válvula de escape eficiente.

Gritar com marido, filhos, funcionários ou com quem quer que seja não só atrapalha o processo como causa o inverso da empatia desejada. Um ótimo exemplo é quando vemos, aqui em SP, as greves e manifestações na Av. Paulista: por mais justa que seja a causa, o fato de a forma de chamar a atenção prejudicar tanto o andamento da cidade e a rotina de seus moradores que ao invés dos manifestantes receberem apoio, se isolam entre si cada vez mais.


Com a gente não é diferente: se gritamos, xingamos, exigimos um posicionamento daqueles com quem convivemos e amamos a chance de craquelar este relacionamento é imensa.


gif


Se você já sabe que tem um comportamento mais explosivo, chora facilmente ou de fato já está esgotada com alguma situação e acha que não conseguirá controlar suas emoções mais profundas e negativas, faça um exercício:


- escreva tudo aquilo que a incomoda

- escreva soluções possíveis e quem seria responsável por tais soluções

- ensaie a sua fala de forma calma e pausada, antevendo reações negativas e seu comportamento diante delas

- faça uma pauta resumida para sua conversa e marque uma hora com calma com quem precisa falar, distante de distrações

- faça um café gostoso, ofereça um quitute e descontraia o ambiente

- comece e termine lembrando que sua intenção é resolver um problema e não brigar com ninguém

- critique atitudes e não indivíduos: você ama quem ama por alguma razão.


Invista tempo de qualidade nas relações que importam e corte vínculos com que te explora ou não te respeita. Só assim vamos ao longo do tempo construindo relações significativas e uma vida mais leve.



9 visualizações0 comentário